Pretty
Girl-13 conta a história de Angela Chapman, ou Angie, como fazia todos os
verões ela foi para o acampamento de bandeirantes. Entretanto, quando as férias
acabaram, ela não voltou.
Durante
três anos Angie ficou desaparecida, as buscas duraram três meses, mas pararam
pois as esperanças para reencontrá-la acabaram. Um dia, ela aparece na rua de
sua casa apenas com uma sacola na mão e sem nenhuma lembrança do acontecido.
Para ela, ainda tem 13 anos e passou apenas tempo perdida na floresta.
Angela não
reconhece a jovem que olha para ela no espelho, magra, abatida, com músculos
mais desenvolvidos e com vergões vermelhos no braço e nos tornozelos. Não tem
ideia porque está usando roupas tão diferentes das quais costumava usar e nem
de onde apareceu o anel que ela usa na mão esquerda.
“Deixou a sacola cair, surpresa, e examinou
sua mão esquerda. Havia algo totalmente errado ali. Esta não era sua mão.
Aqueles não eram seus dedos. Estes dedos eram mais longos, mais finos que os
dela. E um estranho anel de prata ornava seu dedo médio. A pela era seca e
áspera. Cicatrizes escuras circundavam seus pulsos como braceletes. Ela virou a
mão direita, estudando as rachaduras e calos não familiares em sua palma.
Experimentou fechá-la. Aquilo pareceu... errado.” (pág. 11)
Para tentar
responder tantas perguntas e recuperar parte da sua vida Angie começa a fazer
terapia. Lá ela conhece a dra. Lynn Grant, uma psicóloga muito bonita, mas
também muito competente, que faz de tudo para ter sucesso no trabalho, mas que
também se preocupa com as vontades e decisões de Angie. É no consultoria da psicóloga
que Angie descobre que desenvolveu Transtorno
de Identidade Dissociativa (TDI) como uma defesa natural que o seu cérebro criou
para sobreviver ao trauma que passou.
O Transtorno de Identidade Dissociativa
(TDI), anteriormente chamado de Transtorno de Múltipla Personalidade, é um
mecanismo de defesa. Quem sofre desse transtorno pode se separar dessa maneira
quando estão sob condições externas de abuso emocional, físico ou sexual. O
medo e a dor pertencem a uma personalidade alternada, chamado alters, poupando a pessoa primária, mas
deixando lacuna de horas, dias ou mais em sua memória. Os alters podem ter diferentes idades, sexos diferentes e sexualidades
diferentes, isso depende da necessidade que o cérebro tem no momento.
O livro
efetivamente vai mostrar a maneira como a Angie vai lidar com essa nova
condição, ter personalidades diferentes querendo se manifestar em alguns
aspectos da sua vida. Ela irá conhecer os alters
e é a partir deles que vai descobrir cada coisa que aconteceu com ela
durante o tempo perdido.
A história
foi muito bem escrita e bem desenvolvida. Angie e cada um de seus alters tem uma personalidade bem
desenvolvida, cada um tem seus próprios problemas e seus próprios traumas e a
maneira que cada um lida com isso, e a maneira que a própria Angie lida com
isso, é bem interessante.
O livro é
dividido em três partes, as duas primeiras são contadas em terceira pessoa, já
a terceira e última parte é contada em primeira pessoa. Essa escrita acompanha
o processo de desenvolvimento da personagem. Entretanto, apesar das duas
primeiras partes serem em terceira pessoa, Angie domina a narrativa.
A edição da
Benvirá está muito bonita, a capa é muito bonita e tem tudo a ver com a
história e a editora manteve o nome original. Além disso, o trabalho de
diagramação também foi muito cuidadoso. Durante a narrativa nos deparamos com
diferentes fontes, indicando os diferentes alters
se manifestando, isso ilustra ainda mais, que cada alter é uma entidade separada, com sua própria forma de escrever,
falar, pensar e tudo mais.
Achei a
leitura bem fluida e ágil, é um livro que trata de um assunto bem sério, mas e
um modo mais atenuado. O livro é uma ficção, mas misturada elementos da vida
real. A autora fez um estudo bem detalhado sobre o TDI e deixa uma nota no
final do livro falando um pouco mais sobre isso. Existem diferentes livros
autobiográficos sobre o assunto, e um dos que eu tenho bastante vontade de ler
é “Hoje Eu Sou Alice” de Alice Jamieson. Portanto, Pretty Girl-13 é
um excelente livro YA que cumpre muito bem seu papel de informar o seu público
alvo sobre o TDI, como se desenvolve e como conviver com ele.
Esse foi um
livro lido para o Desafio Literário Skoob 2014 pelo tema de Abril: Livro escrito
por mulher.











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